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Lampião é inocente


Passar o São João em Mossoró era um desejo antigo, realizado a dois no encerramento da mais tradicional festa da cidade, o Mossoró Cidade Junina. Já conhecia o município, mas havia me esquecido do calor marcante que faz durante o dia e do refrigério que o sertão traz à noite em forma de brisa suave, que embala as noites cheias de cultura e história da capital do oeste potiguar.

Para quem vem pela primeira vez, a impressão é de uma charmosa festa do interior inserida num grande evento. Mas talvez em função de polêmicas anteriores (sobre supostas fraudes na organização do espetáculo), aparentemente a organização do evento e a divulgação da programação ocorreram bem próximo do início da festa. Faltou informação. Quem conhece sabe onde tudo acontece, mas quem é de fora fica, de início, meio perdido, pois as informações sobre os eventos disponibilizadas no site são genéricas e dispostas num mapa com os respectivos locais.

Nos shows “alternativos” da Cidadela, por exemplo, os grupos ou artistas e grupos (ótimos, diga-se de passagem) são listados, mas sem um mínimo de informação sobre eles (repertório, estilo, horário e duração das apresentações, etc). Além disso, é preciso ter em mente que as pessoas, cada vez mais, acessam a internet pelo celular. Uma start up resolveria isso fácil, fácil ... com um aplicativo, por exemplo. O velho e bom folder informativo impresso também faz falta nessas horas. mas nada que tire o prazer da visita, pois a cidade é limpa e acolhedora.

Como fazemos sempre, partimos para conhecer, também, outros atrativos turísticos e culturais da cidade, cumprindo o obrigatório roteiro das igrejas, dos museus e do Memorial da Resistência.

Lampião é um capítulo à parte nessa história. Vilão com jeito de herói, herói com fama de bandido, o Rei do Cangaço parece habitar no inconsciente coletivo de Mossoró como astro de primeira grandeza. A rudeza do cangaceiro se mistura à poesia escondida por trás da história e ao fervoroso discurso da religião no espetáculo Chuva de Bala no país de Mossoró. Melhor nomenclatura não haveria de ter: um espetáculo! veja aqui um pequeno trecho

Mas nem só de belas histórias vive essa simpática cidade quase na fronteira com o Ceará. O rio que corta Mossoró e atravessa a história da capital do oeste agoniza. No centro, as macrófitas cobrem quase totalmente a superfície do curso d'água, anunciando o problema.

Partimos para conhecer, na periferia da cidade, o que um dia foi um balneário público e local de lazer da população: uma das sete barragens do rio Apodi-Mossoró construídas a partir de 1917 como forma de minimizar o efeito das secas da região. Daí a gente se lembra do “dá uma tristeza danada” ao ver a podridão em que se transformou o rio que deve povoar as lembranças de muita gente nessa histórica cidade.

Um crime, mas nesse Lampião é inocente.


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