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A seca, o homem, a fé. E agora, José?

Atualizado: 16 de mar.

Sábado, 19, é dia de São José. Dia de quem vive da terra olhar para o céu à espera da chuva, à espera de gotas que fertilizam a fé dos pequenos produtores num inverno de fartura. São José é mensageiro da esperança, uma das muitas armas do sertanejo contra a seca, que tinge a paisagem e marca a história do homem nordestino. A convivência com a seca está encravada na cultura da região. Inspirou alguns dos mais importantes romances da literatura brasileira. Influiu na geografia das cidades. São muitos os exemplos.

Em Natal, a Praça Augusto Severo, na Ribeira, antiga área de pântano sujeita a enchentes do Rio Potengi, começou a ser aterrada e urbanizada em 1904, na gestão do então governador Tavares de Lira. Boa parte da mão de obra empregada eram pessoas que fugiam da seca no sertão.


Uma cruz na divisa do Rio Grande do Norte com o Ceará, em Rodolfo Fernandes, marca o local onde, em 1877, duas meninas irmãs morreram de fome e sede. Eram acompanhadas pelos pais e outros retirantes em fuga de uma das mais terríveis secas que atingiram a região. O local virou ponto de peregrinação religiosa pelos milagres atribuídos às meninas. Todo 12 de outubro, Dia das Crianças e de Nossa Senhora de Aparecida, a Festa das Covinhas, ou Festa das Anjinhas, atrai visitantes do Brasil inteiro. Por esta convivência com a seca, não por acaso o padroeiro da cidade é São José.


Para contar parte dessa história religiosa, os estudantes de Comunicação Social da UFRN Túlio Dantas, Catarina Doolan e Lorena Gurgel realizaram o curta metragem “Covinhas – Uma História de Fé”, como trabalho de conclusão de curso. Veja aqui.


Rodolfo Fernandes fica na região de Pau dos Ferros, a 390 km de Natal. A história da cidade está vinculada a Francisco Régis Filho, comerciante local e proprietário de terras onde havia grande quantidade de gatos do mato, também chamados de maracajás. Antes de virar Rodolfo Fernandes, homenagem ao filho da terra, comerciante e industrial renomado, com forte atuação na indústria salineira em Macau e em Mossoró, teve três nomes: Serrotes dos Gatos; Fazenda Gatos e São José dos Gatos.


Sendo assim, de olho no céu e com a esperança de dias melhores para o sertanejo, um viva a São José, padroeiro também de Angicos, Carnaúba dos Dantas, Coronel João Pessoa, Jandaíra, São José do Campestre, São José do Seridó e Senador Elói de Souza. Tamo junto, São José!


Texto publicado em 16 de março de 2022 no Portal Potiguar Notícias.

Imagem: Açude Gargalheiras, em Acari (2017). Foto: Renato Moraes

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