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A simplicidade do barroco nordestino


Uma visita a São Gonçalo do Amarante, a cerca de 20 km de Natal é, antes de tudo, um encontro com a história. Nestas terras, brasileiros deram a vida pela fé e, diga-se de passagem, pela defesa de suas terras contra os holandeses invasores, no episódio que ficou conhecido como o Massacre de Uruaçu, também ocorrido meses antes em Cunhaú, no Rio Grande do Norte. Para se ter uma ideia da violência do episódio, segundo contaram os cronistas da época, o camponês Mateus Moreira teve o coração arrancado pelas costas.

Religião e história dão o tom da visita à cidade. A matriz de São Gonçalo é um raro exemplar de arquitetura barroca no RN. Foi construída no mesmo local da primeira capelinha edificada no início do século XVIII, por iniciativa dos portugueses Paschoal Gomes de Lima e Ambrósio Miguel de Serinhaém. A transformação de capela em igreja matriz durou dois anos, sendo concluída em 1840.

Os dois altares laterais da igreja parecem mostrar como a força da cultura indígena influenciou o estilo barroco dominante da época. Olhando de baixo para cima, o visitante pode constatar como o altar começa “puro” com todos os elementos da arquitetura barroca e vai subindo numa mistura de estilos que culmina numa espécie de cocar estilizado, presente em outras referências culturais nordestinas como no vestuário do maracatu, por exemplo.

Mas assim como se apresenta a cultura indígena, também se abre a força da mãe África nos claros sinais da influência da cultura negra no cotidiano da região. Da pequena capela cujo padroeiro era São Gonçalo surgiu a igreja matriz da cidade. E o santo que descansa no altar à direita é São Benedito, protetor dos negros e dos humildes serviçais e patrono de São Gonçalo do Amarante.

Se o barroco lá pelas bandas de Minas foi erguido a “toque de caixa” com a força do ouro e sob a bandeira da ostentação e da fé, o barroco nordestino, particularmente nesse exemplar no Rio Grande do Norte, parece mostrar mais claramente esse viés ocupacional. Aqui, encontrou-se com a cultura indígena. O resultado é simples e belo. Vale a visita.

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